30 junho 2007
29 junho 2007
28 junho 2007
chain-blog 2.0
[em resposta ao desafio lançado pelo nuno no seu terno postigo cinzento - e cinzento é aqui substantivo e não adjectivo!]
o que é para ti um MAU filme?
mau pode querer dizer muitas coisas: qualquer filme que faça gala da sua presunção (percebem-se todos os movimentos filmados com 'gruas estreboscópicas'; ou não se percebem de todo certos intelectualismos de pacotilha, a cheirarem àquele mofo próprio de quem lê muito mas entende pouco); qualquer filme que se esqueça dos espectadores; qualquer filme que seja pointless (e atenção que um filme de puro entretenimento, bem filmado, inteligente na sua gestão de expectativas não é nada pointless!).
acima de tudo, um mau filme é aquele que nos deixa com aquele travo amargo 'e tanta gente que com este orçamento, com esta oportunidade, nos daria um belo suplemento de alma..'.
remakes ou sequelas: havendo apenas estas duas escolhas sem opção de recusa, qual assistirias?
confesso não ser fã de nenhuma das tipologias. os filmes, para mim, são entidades únicas. mesmo um cineasta que 'se repete' - construindo uma só temática, um só universo, cada vez mais elaborado ou cada vez mais depurado - constrói parcelas únicas de um todo in progress.
mas, sendo sem opção de recusa, diria que preferiria abdicar de remakes. uma sequela traz sempre a esperança de um golpe de asa. um remake cheira-me, em tese, a mais técnica, mais dinheiro, mais mainstream, mais qualidade industrial.. mas menos criatividade, menos imaginação. deixa-nos onde já estávamos, apenas dá um ar mais agradável à sala. mas nunca (ou quase nunca) nos abre janelas.
que tipo de filme português gostarias de ir ver ao cinema?
todo e qualquer filme que dispensasse na minha cabeça e no meu coração o qualificativo português. um filme universal, no sentido mais nobre do termo. um filme fulminante, estarrecedor, esmagador. sem pátria. como diria caetano, 'sem lenço nem documento'.
a espaços já vi coisas magníficas - no tal sentido universal. lembro-me de partes da obra do joão césar monteiro (já sei que estou a ser polémico), recordo-me de certas atmosferas, certas cenas de filmes de segunda linha que, contudo, para sempre ficaram a bailar dentro da minha memória (ocorre-me a cinematografia de josé álvaro morais, esse autor bissexto que nos deixou momentos luminosos, de uma ternura lancinante pelas personagens e por nós, em filmes como 'zéfiro', 'peixe-lua' ou 'quaresma'..).
gostaria de ver melodramas à la douglas sirk, com lágrimas em português, destinos fatais e redenção com vista para o tejo.
que cliché cinematográfico já não tens pachorra para ver novamente?
esta é boa! por definição, um cliché só é bom quando encerra em si um pouco de paródia - há um humor próprio que torna um cliché sadio, uma espécie de piscar de olhos aos compinchas de sempre (nós, espectadores).
mas respondendo à pergunta.. não gosto de filmes que definem um grupo, para depois todos, ou quase, irem ficando pelo caminho, sobrando 'o herói e a mocinha'. lembro-me, assim de repente, deste.. mas há mais!!
qual o teu fan video preferido?
fan video? estou sempre a aprender ;-). não sou (ainda) um heavy user do you tube e dos mundos easy made digitais (onde talvez se encontrem estas coisas). peço desculpa, mas vou passar à próxima. zero pontos!
a quem desafias este questionário?
porque sim (que é sempre uma óptima razão), desafio:
menina limão
alice que é única
cristina
não me parece que passem por aqui regularmente, mas fica a intenção :-).
[foi um prazer, nuno! manda sempre ;-)]
o que é para ti um MAU filme?
mau pode querer dizer muitas coisas: qualquer filme que faça gala da sua presunção (percebem-se todos os movimentos filmados com 'gruas estreboscópicas'; ou não se percebem de todo certos intelectualismos de pacotilha, a cheirarem àquele mofo próprio de quem lê muito mas entende pouco); qualquer filme que se esqueça dos espectadores; qualquer filme que seja pointless (e atenção que um filme de puro entretenimento, bem filmado, inteligente na sua gestão de expectativas não é nada pointless!).
acima de tudo, um mau filme é aquele que nos deixa com aquele travo amargo 'e tanta gente que com este orçamento, com esta oportunidade, nos daria um belo suplemento de alma..'.
remakes ou sequelas: havendo apenas estas duas escolhas sem opção de recusa, qual assistirias?
confesso não ser fã de nenhuma das tipologias. os filmes, para mim, são entidades únicas. mesmo um cineasta que 'se repete' - construindo uma só temática, um só universo, cada vez mais elaborado ou cada vez mais depurado - constrói parcelas únicas de um todo in progress.
mas, sendo sem opção de recusa, diria que preferiria abdicar de remakes. uma sequela traz sempre a esperança de um golpe de asa. um remake cheira-me, em tese, a mais técnica, mais dinheiro, mais mainstream, mais qualidade industrial.. mas menos criatividade, menos imaginação. deixa-nos onde já estávamos, apenas dá um ar mais agradável à sala. mas nunca (ou quase nunca) nos abre janelas.
que tipo de filme português gostarias de ir ver ao cinema?
todo e qualquer filme que dispensasse na minha cabeça e no meu coração o qualificativo português. um filme universal, no sentido mais nobre do termo. um filme fulminante, estarrecedor, esmagador. sem pátria. como diria caetano, 'sem lenço nem documento'.
a espaços já vi coisas magníficas - no tal sentido universal. lembro-me de partes da obra do joão césar monteiro (já sei que estou a ser polémico), recordo-me de certas atmosferas, certas cenas de filmes de segunda linha que, contudo, para sempre ficaram a bailar dentro da minha memória (ocorre-me a cinematografia de josé álvaro morais, esse autor bissexto que nos deixou momentos luminosos, de uma ternura lancinante pelas personagens e por nós, em filmes como 'zéfiro', 'peixe-lua' ou 'quaresma'..).
gostaria de ver melodramas à la douglas sirk, com lágrimas em português, destinos fatais e redenção com vista para o tejo.
que cliché cinematográfico já não tens pachorra para ver novamente?
esta é boa! por definição, um cliché só é bom quando encerra em si um pouco de paródia - há um humor próprio que torna um cliché sadio, uma espécie de piscar de olhos aos compinchas de sempre (nós, espectadores).
mas respondendo à pergunta.. não gosto de filmes que definem um grupo, para depois todos, ou quase, irem ficando pelo caminho, sobrando 'o herói e a mocinha'. lembro-me, assim de repente, deste.. mas há mais!!
qual o teu fan video preferido?
fan video? estou sempre a aprender ;-). não sou (ainda) um heavy user do you tube e dos mundos easy made digitais (onde talvez se encontrem estas coisas). peço desculpa, mas vou passar à próxima. zero pontos!
a quem desafias este questionário?
porque sim (que é sempre uma óptima razão), desafio:
não me parece que passem por aqui regularmente, mas fica a intenção :-).
[foi um prazer, nuno! manda sempre ;-)]
..nas suas ruminações solitárias, pensa em propôr a IVC
-'interrupção voluntária do coração'. até às 10 horas, sem comissões de acompanhamento ou de aconselhamento.
um comprimido e já está.
-'interrupção voluntária do coração'. até às 10 horas, sem comissões de acompanhamento ou de aconselhamento.
um comprimido e já está.
27 junho 2007
sentir
decanto as sílabas
das palavras
indizíveis
secretos discursos
das pirâmides
sagrado tempo
do silêncio
=
retenho do bosque
a memória dos pássaros
dos cheiros
flores em alvoroço
nas manhãs curtidas
pela chuva
dilata-se-me o corpo
nascido da terra
num frémito estranho
com o barro dos abrigos
construo
novas florestas
caminhos antigos
=
não contava todos os dias
o número de vimes entrelaçados
da esteira onde dormia
bastava-lhe reparar nos vincos
enrolados no corpo
e saber da noite
e assim
em cada cruzamento
mergulhava
ao longo da sua sombra
sabia de todas as teias
urdidas a partir da insónia
confuso labirinto
onde a memória
concebia o erro inconsciente
da verdade
=
cobre-me este volume
feito de palha e luar
não tem bermas
só há meio
caminho para lá chegar
o resto do trilho feito
na encosta da montanha
é todo trato da esperança
do rio alcançar o mar
=
tenho resmas de
papel em branco
como memórias
fragmentos
estórias
conceitos
abstractos
ausência
de marés
jangada
flutuando
no mar alagado
de sargaço
=
ser razão
entre quatro
desejos
nem deus
nem o diabo
como o sexo
dos anjos
ter a distência
nos olhos
e as mãos
no horizonte
=
no mistério
das madrugadas
esperei séculos
neste punhado de terra
lavei os olhos no mar
fonte de luz
=
o patamar da saudade
tem cinco pisos contados
em cada andar um sentido
em cada degrau o amor
pelo corrimão de ferro
húmida balaustrada
desliza o resto do corpo
solto da mão
preso a nada.
alberto estima de oliveira
in 'estrutura'
edição do autor
das palavras
indizíveis
secretos discursos
das pirâmides
sagrado tempo
do silêncio
=
retenho do bosque
a memória dos pássaros
dos cheiros
flores em alvoroço
nas manhãs curtidas
pela chuva
dilata-se-me o corpo
nascido da terra
num frémito estranho
com o barro dos abrigos
construo
novas florestas
caminhos antigos
=
não contava todos os dias
o número de vimes entrelaçados
da esteira onde dormia
bastava-lhe reparar nos vincos
enrolados no corpo
e saber da noite
e assim
em cada cruzamento
mergulhava
ao longo da sua sombra
sabia de todas as teias
urdidas a partir da insónia
confuso labirinto
onde a memória
concebia o erro inconsciente
da verdade
=
cobre-me este volume
feito de palha e luar
não tem bermas
só há meio
caminho para lá chegar
o resto do trilho feito
na encosta da montanha
é todo trato da esperança
do rio alcançar o mar
=
tenho resmas de
papel em branco
como memórias
fragmentos
estórias
conceitos
abstractos
ausência
de marés
jangada
flutuando
no mar alagado
de sargaço
=
ser razão
entre quatro
desejos
nem deus
nem o diabo
como o sexo
dos anjos
ter a distência
nos olhos
e as mãos
no horizonte
=
no mistério
das madrugadas
esperei séculos
neste punhado de terra
lavei os olhos no mar
fonte de luz
=
o patamar da saudade
tem cinco pisos contados
em cada andar um sentido
em cada degrau o amor
pelo corrimão de ferro
húmida balaustrada
desliza o resto do corpo
solto da mão
preso a nada.
alberto estima de oliveira
in 'estrutura'
edição do autor
26 junho 2007
em 1998 fiz aquela que é, até à data, a mais marcante viagem da minha vida: nepal, tibete, um bocadinho de india.
dessa viagem, desse bando de desalinhados que o destino cruzou nesse setembro/outubro de 1998, ficou a amizade com um casal de médicos franceses (ele: espécie de saltimbanco, à época, correndo de emprego em emprego, de cidade em cidade; ela: correndo com ele, filha de marroquinos, típica segunda geração de imigração em frança; ambos: entusiastas 'trekkers' e apaixonados pelo continente asiático).
ontem, jantei com o philippe (e com uma prima minha que me desafiou na altura para esta viagem de uma vida), no nosso bairro alto.
(irresistível de contar o pormenor do beijo - que retribuí, pois claro - na face, à francesa portanto, com que me saudou, em plena recepção de hotel, perante o olhar dos empregados, ajudantes de empregado, chefes de empregado, recepcionistas de segunda, porteiros de primeira, etc, etc.)
nove anos depois, o sr. dr. está a participar num congresso internacional de cardiologistas, tendo duas apresentações a fazer em workshops temáticas, digamos assim. mas continua a ser o phillipe de quem fiquei amigo para a vida.
num diálogo arrastado e arranhado, mas vivo e brilhante, meio em francês, meio em inglês, disse-me: sabes que a empatia entre as pessoas não tem explicação, nem precisa de ter. não se baseia na origem geográfica, cultural, social. não se baseia no que fazem, na sua biografia. tudo influencia, claro, mas antes disso, e de forma decisiva, baseia-se numa fina camada, anterior a tudo isso, que se situa logo abaixo da pele e que obedece a leis próprias. foi o que senti quando nos conhecemos.
foi bom reencontrar-te, companheiro do tecto do mundo. és um bom homem, gentil. encontraste o teu rumo, junto da tua querida nadia. tens 2 filhas lindas, adoráveis. e aquela simplicidade desarmante a que alguns chamam nobreza de carácter.
não sei se algum dia to direi, assim, olhos-nos-olhos. mas fica dito, fica escrito, fica aqui para que o 'great scheme of things' o possa saber.
até breve, amigo.
dessa viagem, desse bando de desalinhados que o destino cruzou nesse setembro/outubro de 1998, ficou a amizade com um casal de médicos franceses (ele: espécie de saltimbanco, à época, correndo de emprego em emprego, de cidade em cidade; ela: correndo com ele, filha de marroquinos, típica segunda geração de imigração em frança; ambos: entusiastas 'trekkers' e apaixonados pelo continente asiático).
ontem, jantei com o philippe (e com uma prima minha que me desafiou na altura para esta viagem de uma vida), no nosso bairro alto.
(irresistível de contar o pormenor do beijo - que retribuí, pois claro - na face, à francesa portanto, com que me saudou, em plena recepção de hotel, perante o olhar dos empregados, ajudantes de empregado, chefes de empregado, recepcionistas de segunda, porteiros de primeira, etc, etc.)
nove anos depois, o sr. dr. está a participar num congresso internacional de cardiologistas, tendo duas apresentações a fazer em workshops temáticas, digamos assim. mas continua a ser o phillipe de quem fiquei amigo para a vida.
num diálogo arrastado e arranhado, mas vivo e brilhante, meio em francês, meio em inglês, disse-me: sabes que a empatia entre as pessoas não tem explicação, nem precisa de ter. não se baseia na origem geográfica, cultural, social. não se baseia no que fazem, na sua biografia. tudo influencia, claro, mas antes disso, e de forma decisiva, baseia-se numa fina camada, anterior a tudo isso, que se situa logo abaixo da pele e que obedece a leis próprias. foi o que senti quando nos conhecemos.
foi bom reencontrar-te, companheiro do tecto do mundo. és um bom homem, gentil. encontraste o teu rumo, junto da tua querida nadia. tens 2 filhas lindas, adoráveis. e aquela simplicidade desarmante a que alguns chamam nobreza de carácter.
não sei se algum dia to direi, assim, olhos-nos-olhos. mas fica dito, fica escrito, fica aqui para que o 'great scheme of things' o possa saber.
até breve, amigo.
25 junho 2007

de ti nunca saberei dizer quanto,
para ti nunca encontrarei as palavras justas,
a ti nunca saberei retribuir o tanto que me deste e o tanto que me dás.
ouvi 1050 discos nos últimos anos - e gravei-os todos na pele;
vi 572 filmes nos últimos meses - e guardei-os a todos nos meus sentidos;
li tudo o que havia para ler, centenas também;
escrevi poesia, dezenas de coisas que ninguém nunca vai ler.
amei compulsivamente, como só assim sei,
como só assim sou.
nada disto me ensinou uma única forma,
uma única forma, vejo agora,
de te dizer obrigado.
talvez o mar e o céu sejam o cavalete
em que desenharei,
um dia,
o carrossel que sinto.
e de quando de mim nada restar
- nem a memória da memória dos últimos descendentes
- nem o grito do grito dos últimos pássaros
talvez, dizia,
lá esteja,
enfim dito
o meu amor por ti.
fazes hojes anos, 62.
flores para ti.
o mais egoísta dos homens é aquele que se recusa a partilhar, ao menos com os seus amigos, as suas fragilidades e limitações.
(em resposta à minha amiga c.r., acerca do 'porquê ter um blog' ou do 'como conseguir ter um blog'..)
(em resposta à minha amiga c.r., acerca do 'porquê ter um blog' ou do 'como conseguir ter um blog'..)
m-a-r-k-e-t-i-n-g
do rapaz cada vez menos rapaz se dizia que tinha tudo para ser o genro ideal. era um elogio que as mãezinhas de ocasião sempre encontravam forma de fazer chegar até ele.
não via nenhum problema nisso, excepto quando lhe passava pela cabeça que isso poderia querer dizer que a 'projecção de si' em nada ligava com os redemoínhos interiores. perturbava-o um bocadinho, era verdade, essa falta de sintonia entre o lado de fora e o lado de dentro.
mas o pior não era isso - para receber comentários simpáticos, seremos sempre eternos cãezinhos à espera de mão que nos afague o lombo. o pior era ele ter essa absoluta ideia - quase racionalista - de que 'ser-se bom genro' é uma espécie de perfil novecentista, ultrapassado e, como dizer, não-operativo. e, pior do que isso, um conceito que chumbava, tanto quando analisado pela lupa das ciências humanas como quando dissecado pelo bisturi das ciências exactas.
- antes de mais, era preciso ser-se genro, para se poder depois receber qualquer espécie de qualificativo ('bom', 'mau', 'assim-assim', 'serve para as encomendas', 'podia ser pior', 'enfim, não gosto dele mas a pequena afeiçoou-se, que é que se há-de fazer', 'é como lhe digo: uma jóiinha', etc..);
- e, para se ser genro, era necessário, antes de mais, ser bom namorado (ou 'bom amante', ou 'bom homem', ou 'um gajo à maneira', ou lá o que é).
e isso tinha um problema.
quem escolhia eram sempre as filhas, nunca as mães delas.
afinal, bem vistas as coisas, talvez tudo se reduzisse a um simples problema de marketing.
não via nenhum problema nisso, excepto quando lhe passava pela cabeça que isso poderia querer dizer que a 'projecção de si' em nada ligava com os redemoínhos interiores. perturbava-o um bocadinho, era verdade, essa falta de sintonia entre o lado de fora e o lado de dentro.
mas o pior não era isso - para receber comentários simpáticos, seremos sempre eternos cãezinhos à espera de mão que nos afague o lombo. o pior era ele ter essa absoluta ideia - quase racionalista - de que 'ser-se bom genro' é uma espécie de perfil novecentista, ultrapassado e, como dizer, não-operativo. e, pior do que isso, um conceito que chumbava, tanto quando analisado pela lupa das ciências humanas como quando dissecado pelo bisturi das ciências exactas.
- antes de mais, era preciso ser-se genro, para se poder depois receber qualquer espécie de qualificativo ('bom', 'mau', 'assim-assim', 'serve para as encomendas', 'podia ser pior', 'enfim, não gosto dele mas a pequena afeiçoou-se, que é que se há-de fazer', 'é como lhe digo: uma jóiinha', etc..);
- e, para se ser genro, era necessário, antes de mais, ser bom namorado (ou 'bom amante', ou 'bom homem', ou 'um gajo à maneira', ou lá o que é).
e isso tinha um problema.
quem escolhia eram sempre as filhas, nunca as mães delas.
afinal, bem vistas as coisas, talvez tudo se reduzisse a um simples problema de marketing.
24 junho 2007
das coisas simples
'todos morreram calçados / they died with their boots on', filme de cavalaria, de raoul walsh, com o espantoso errol flynn, no papel do jovem general custer.
a mocinha esperava o garboso cadete de west point, ao cair da noite, após um hilariante primeiro (des)encontro - ela pedindo-lhe explicações sobre a casa do seu tio coronel, em pleno campus militar; ele, em ronda de guarda, por castigo, evitando falar com ela, para não agravar ainda mais a sua miserável folha militar (a pior de sempre, excepto equitação e esgrima, incluindo ulisses s. grant (sic)).
- julgava eu que west point formava gentlemen, dizia ela. nunca fui tão rudemente tratada em toda a minha vida.
desfeito o equívoco, marcado um primeiro encontro, o nosso cadete não havia meio de aparecer. o pai da mocinha, vendo o que se passava, começa a praguejar contra a falta de maneiras destes jovens de agora..
ela interrompe-o e pede:
- pai, por favor, não devia falar assim dele!
- porquê? porque não devo..?
- because he is the man i am going to marry! (e nos seus olhos vê-se uma mistura de determinação, certeza e naturalidade).
gosto desses tempos.
(ulysses s. grant: um dos mais decisivos generais da guerra civil americana, também conhecido pelas suas péssimas notas na academia militar. mais tarde, eleito presidente dos estados unidos da américa. responsável por uma frase importantíssima, para pessoas como eu: 'failures have been errors of judgment, not of intent').
a mocinha esperava o garboso cadete de west point, ao cair da noite, após um hilariante primeiro (des)encontro - ela pedindo-lhe explicações sobre a casa do seu tio coronel, em pleno campus militar; ele, em ronda de guarda, por castigo, evitando falar com ela, para não agravar ainda mais a sua miserável folha militar (a pior de sempre, excepto equitação e esgrima, incluindo ulisses s. grant (sic)).
- julgava eu que west point formava gentlemen, dizia ela. nunca fui tão rudemente tratada em toda a minha vida.
desfeito o equívoco, marcado um primeiro encontro, o nosso cadete não havia meio de aparecer. o pai da mocinha, vendo o que se passava, começa a praguejar contra a falta de maneiras destes jovens de agora..
ela interrompe-o e pede:
- pai, por favor, não devia falar assim dele!
- porquê? porque não devo..?
- because he is the man i am going to marry! (e nos seus olhos vê-se uma mistura de determinação, certeza e naturalidade).
gosto desses tempos.
(ulysses s. grant: um dos mais decisivos generais da guerra civil americana, também conhecido pelas suas péssimas notas na academia militar. mais tarde, eleito presidente dos estados unidos da américa. responsável por uma frase importantíssima, para pessoas como eu: 'failures have been errors of judgment, not of intent').
22 junho 2007
21 junho 2007
old school is never out of fashion
entre 1964 e 1969, o grupo vocal 'the supremes' - talvez o mais bem sucedido projecto na história da editora motown - colocou 12 (doze!) canções no primeiro lugar do top de vendas dos estados unidos.
nem sempre sucesso equivale a qualidade, como bem sabemos. ainda assim, por vezes a co-relação é possível.
eram os anos 60, já se sentiam na ruas as flores-em-flor dos anos seguintes. um dos sinais disso, porventura só compreensível a posteriori, seria a entusiasta base de fans das 'the supremes', autêntico cross-over between the white and the black americas.
1/12
nem sempre sucesso equivale a qualidade, como bem sabemos. ainda assim, por vezes a co-relação é possível.
eram os anos 60, já se sentiam na ruas as flores-em-flor dos anos seguintes. um dos sinais disso, porventura só compreensível a posteriori, seria a entusiasta base de fans das 'the supremes', autêntico cross-over between the white and the black americas.
1/12
fogo-fátuo
o fogo-fátuo, também chamado de fogo tolo ou, no interior do brasil, fogo corredor ou joão-galafoice, é uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, pântanos, brejos, etc. é a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos (..).
in wikipédia
in wikipédia
20 junho 2007
yestermorrow
falo de coisas assim,
coisas do coração.
que me suspendem no sim
e que me suspendem no não.
coisas do coração.
que me suspendem no sim
e que me suspendem no não.
19 junho 2007
o inverno
por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. porquê? porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. esta tempestade és tu. algo que está dentro de ti. por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. é uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(..) e não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. o sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. um sangue vermelho, quente. ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
e quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. mas uma coisa é certa. quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. só assim as tempestades fazem sentido.
haruki murakami, in 'kafka à beira-mar'
in http://www.citador.pt
(..) e não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. o sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. um sangue vermelho, quente. ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
e quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. mas uma coisa é certa. quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. só assim as tempestades fazem sentido.
haruki murakami, in 'kafka à beira-mar'
in http://www.citador.pt
não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
não posso adiar o coração
antónio ramos rosa
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
não posso adiar o coração
antónio ramos rosa
18 junho 2007
carta aberta
caro daniel blaufuks,
desculpe a informalidade. escrever de improviso tem destas coisas.
habituei-me a acompanhar a sua obra de forma bissexta - uma entrevista aqui, um artigo ali, mais qualquer coisa num blog acolá.
não sou especialista em fotografia, apenas um amante das coisas belas e das coisas bonitas (no sentido em que encerram em si uma ética).
há uns dias, quase por acaso, dei por mim a desfolhar (e depois a ler com atenção) o seu livro 'sob céus estranhos'.
decidi escrever-lhe ao visitar o seu site, em busca de uma ilustração que pudesse usar no meu blog pessoal. apetece-me partilhar com a pequenina comunidade de leitores-amigos - e consigo - os sentimentos e pensamentos que me atravessaram durante o tempo em que mergulhei nessa história (nessas estórias) da sua família - mas que podia ser, em sentido humano, da minha família. ou, se quisermos, da nossa grande família (por muito que este seja um conceito difícil de interiorizar, como bem sabemos).
preocupa-me a memória, por contraponto ao esquecimento. preocupam-me as lições que teimamos em não aprender. preocupa-me a perpétua procura de um sentido, contra um certo nihilismo materialista que nos cerca.
foi também assim, a partir desta base, que olhei para o seu trabalho. e que vi ? vi um 'labour of love', subtil, elegantemente 'enxuto' no seu todo, mas profundamente humano nos detalhes (e muito humano no domínio do não dito e do não mostrado).
tomei, portanto, a liberdade de lhe endereçar estas palavras. é bom ver quem sabe honrar a memória e partilhar com os seus concidadãos esse tão raro cruzamento entre estética e ética.
sob um céu estranho continuamos todos. só que uns iluminam um bocadinho 'a parte do todo' que lhes tocou. parece-me ser o seu caso. bem haja, como antigamente se dizia.
cumprimentos cordiais,
gi.
desculpe a informalidade. escrever de improviso tem destas coisas.
habituei-me a acompanhar a sua obra de forma bissexta - uma entrevista aqui, um artigo ali, mais qualquer coisa num blog acolá.
não sou especialista em fotografia, apenas um amante das coisas belas e das coisas bonitas (no sentido em que encerram em si uma ética).
há uns dias, quase por acaso, dei por mim a desfolhar (e depois a ler com atenção) o seu livro 'sob céus estranhos'.
decidi escrever-lhe ao visitar o seu site, em busca de uma ilustração que pudesse usar no meu blog pessoal. apetece-me partilhar com a pequenina comunidade de leitores-amigos - e consigo - os sentimentos e pensamentos que me atravessaram durante o tempo em que mergulhei nessa história (nessas estórias) da sua família - mas que podia ser, em sentido humano, da minha família. ou, se quisermos, da nossa grande família (por muito que este seja um conceito difícil de interiorizar, como bem sabemos).
preocupa-me a memória, por contraponto ao esquecimento. preocupam-me as lições que teimamos em não aprender. preocupa-me a perpétua procura de um sentido, contra um certo nihilismo materialista que nos cerca.
foi também assim, a partir desta base, que olhei para o seu trabalho. e que vi ? vi um 'labour of love', subtil, elegantemente 'enxuto' no seu todo, mas profundamente humano nos detalhes (e muito humano no domínio do não dito e do não mostrado).
tomei, portanto, a liberdade de lhe endereçar estas palavras. é bom ver quem sabe honrar a memória e partilhar com os seus concidadãos esse tão raro cruzamento entre estética e ética.
sob um céu estranho continuamos todos. só que uns iluminam um bocadinho 'a parte do todo' que lhes tocou. parece-me ser o seu caso. bem haja, como antigamente se dizia.
cumprimentos cordiais,
gi.
17 junho 2007
15 junho 2007
more postcards from lisbon
não leio francês há anos, mas ça me plait (le livre, bien sur)
ante-estreia de 'lady chatterlay', adaptação francesa da obra de d.h.lawrence.
com boa imprensa, boa crítica, caução intelectual associado a sucesso comercial e a benção dos prémios 'césar' franceses, nem assim me arrebatou.
filme frio, porquanto ilustrativo de uma certa ideia de 'amor pleno', do amor como acto telúrico, espécie de harmonia cósmica reposta enfim.
contra-senso dentro de mim: assim vejo o amor, como sentido absolutizante, mas é-me difícil aderir à ideia intelectual (como mostrar a emoção, sendo a forma emoção em si?). pistas possíveis: cinema-poesia, alguma literatura maior, certa poesia magistral. nada do que aqui vemos. e, no entanto, superlativa interpretação da protagonista e um magnífico diálogo final dos amantes, sob a copa protectora de uma árvore ('podes ter outras mulheres, enquanto não nos reunirmos; desde que mantenhas o teu coração doce serás meu - é isso que me importa. o importante é conservares o teu coração doce', cito de memória. 'sempre fui diferente, em criança a minha mãe dizia-me que tinha certos traços femininos; mas a sensibilidade vejo-a como uma enfermidade, que me persegue dia após dia', novamente de memória).
como dizia o outro, vão e vejam. ou então, vão e leiam. mas vão.
tomara eu saber como dizer
no ipsilon de hoje, jornal público, diz um crítico de arquitectura, a propósito de álvaro siza vieira: 'Deus tocou-lhe com um dedo'.
apetecia-me dizer o mesmo. a despropósito de siza, mas com intenção precisa.
ante-estreia de 'lady chatterlay', adaptação francesa da obra de d.h.lawrence.
com boa imprensa, boa crítica, caução intelectual associado a sucesso comercial e a benção dos prémios 'césar' franceses, nem assim me arrebatou.
filme frio, porquanto ilustrativo de uma certa ideia de 'amor pleno', do amor como acto telúrico, espécie de harmonia cósmica reposta enfim.
contra-senso dentro de mim: assim vejo o amor, como sentido absolutizante, mas é-me difícil aderir à ideia intelectual (como mostrar a emoção, sendo a forma emoção em si?). pistas possíveis: cinema-poesia, alguma literatura maior, certa poesia magistral. nada do que aqui vemos. e, no entanto, superlativa interpretação da protagonista e um magnífico diálogo final dos amantes, sob a copa protectora de uma árvore ('podes ter outras mulheres, enquanto não nos reunirmos; desde que mantenhas o teu coração doce serás meu - é isso que me importa. o importante é conservares o teu coração doce', cito de memória. 'sempre fui diferente, em criança a minha mãe dizia-me que tinha certos traços femininos; mas a sensibilidade vejo-a como uma enfermidade, que me persegue dia após dia', novamente de memória).
como dizia o outro, vão e vejam. ou então, vão e leiam. mas vão.
tomara eu saber como dizer
no ipsilon de hoje, jornal público, diz um crítico de arquitectura, a propósito de álvaro siza vieira: 'Deus tocou-lhe com um dedo'.
apetecia-me dizer o mesmo. a despropósito de siza, mas com intenção precisa.
neither dusty nor rusty
para o r.t., que me mostra a todo o tempo outros mundos e outras formas de ver o mundo.
echo and the bunnymen, 'the cutter'
echo and the bunnymen, 'the cutter'
13 junho 2007
postcards from lisbon
subversivo nos santos populares
o táxista chamado jeremias. fora-da-lei, apetecia-me que fosse.
nomes trocados?
no hall de um hotel de lisboa, gi meets the beastie boys. ou seriam os boys meeting beastie gi? tenho que ir ao dicionário de inglês-inglês, enquanto é tempo..
constatação
há, finalmente, um novo mundo de pequenas lojas contemporâneas a nascer em lisboa, nas quais podemos:
a) ser simpáticos e obter retorno;
b) ser tratados e tratar os oficiantes por tu;
c) perceber que têm uma ideia, um conceito (como se diz);
d) conjugar no presente do indicativo o verbo 'design' (se porventura fosse verbo);
e) sorrir, ao perceber que não somos os únicos a entender o valor da palavra 'detalhes'.
o táxista chamado jeremias. fora-da-lei, apetecia-me que fosse.
nomes trocados?
no hall de um hotel de lisboa, gi meets the beastie boys. ou seriam os boys meeting beastie gi? tenho que ir ao dicionário de inglês-inglês, enquanto é tempo..
constatação
há, finalmente, um novo mundo de pequenas lojas contemporâneas a nascer em lisboa, nas quais podemos:
a) ser simpáticos e obter retorno;
b) ser tratados e tratar os oficiantes por tu;
c) perceber que têm uma ideia, um conceito (como se diz);
d) conjugar no presente do indicativo o verbo 'design' (se porventura fosse verbo);
e) sorrir, ao perceber que não somos os únicos a entender o valor da palavra 'detalhes'.
lenga-lenga destes dias
fenomenal canção(?) dos junior boys ('in the morning'), ilustrado com cena de 'bande à part', filme de jean-luc godard
11 junho 2007
serviços mínimos
'ardem as perdas, rapaz' - diria don antónio.
nada mais há a dizer, nada mais merece ser dito, nada mais consegue ser dito.
nada mais há a dizer, nada mais merece ser dito, nada mais consegue ser dito.
07 junho 2007
06 junho 2007
pop, pop & away
pop
little boy got a hot rod, thinks it makes him some kind of new god
well this is one race he wont win,
cos lifes no cruise with a cool chick
too many folks feelin car sick, but it never pulls in
brucies thoughts - pretty streamers
- guess this world needs its dreamers may they never wake up.
prefab sprout, 'cars and girls'
pop
all my lazy teenage boasts are now high precision ghosts
and theyre coming round the track to haunt me
prefab sprout, 'the king of rock'n'roll'
and away..
até breve!
little boy got a hot rod, thinks it makes him some kind of new god
well this is one race he wont win,
cos lifes no cruise with a cool chick
too many folks feelin car sick, but it never pulls in
brucies thoughts - pretty streamers
- guess this world needs its dreamers may they never wake up.
prefab sprout, 'cars and girls'
pop
all my lazy teenage boasts are now high precision ghosts
and theyre coming round the track to haunt me
prefab sprout, 'the king of rock'n'roll'
and away..
até breve!
05 junho 2007
whatever you need to say, just say it

Olá, _____!
Muito obrigada pela sua mensagem. É muito importante para nós saber que os
nossos livros estão guardados nesse "lugar especial".
Como sabe, hoje em dia, a maior parte dos livros tem uma vida muito curta
(quando são novidade, ficam um mês "à mostra"; depois passam para a
prateleira e passado pouco tempo acabam no armazém).
Nós temos poucos livros (muito poucos mesmo!) e tentamos que eles não acabem
no armazém ao fim de 3 meses. Ficámos muito contentes por receber a sua
mensagem. Ajuda a dar saúde e força aos livros. Ficam, assim, com uma
esperança de vida mais longa!
Abraços do Planeta Tangerina
www.planetatangerina.com
Sent: segunda-feira, 4 de Junho de 2007 13:19
To: p.tangerina@netcabo.pt
Subject:
olá a todos os que cuidam do planeta tangerina.
o meu nome é ______, 34 anos, lisboeta por nascimento e devoção. amigo das
coisas belas e das pessoas com maiúscula.
há 1 ano atrás, num jantar de natal que organizei, ofereci a uma dúzia de
amigos uma obra vossa que dizia na capa qualquer coisa como 'obrigado a
todos'. meses depois, por ocasião do nascimento do primeiro filho de um
amigo muito especial, ofereci-lhe o livro 'p de pai'. mais recentemente,
tropecei num livrinho chamado 'um livro para todos os dias'.
gostava que soubessem que cada livro vosso me emociona profundamente. que dão
voz, de certa maneira, a sentimentos pessoais, íntimos, por vezes difíceis
de articular (e ainda mais de exprimir).
no fundo, quero dar-vos os parabéns. há coisas que guardamos naquele sítio
especial onde conjugamos as palavras ternura, essência, amor. há poucos
objectos que entram neste sítio - uns livros, uns poemas, uns quantos
discos, mais uns tantos filmes. ficam a saber que é aí que guardo as vossas
obras.
muito obrigado por criarem um planeta alternativo - um planeta bonito e
sensível, que nos toca fundo.
aceitem um abraço cordial.
04 junho 2007
poetas cá de casa: antonio cicero
desprezar a morte, amar o doce,
o justo, o belo e o saber
poeta e ensaísta contemporâneo brasileiro (nascido em 1945), mais conhecido na sua qualidade de letrista de alguns compositores de MPB.
pela mão da quasi editores, chegou-nos, em 2006, um livrinho de capa amarela, de sua graça 'a cidade e os livros'.
diz-nos assim:
canção do amor impossível
como não te perderia
se te amei perdidamente
se eu teus lábios em sorvia
néctar enquanto sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada à poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia
nênia
a morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a
morte e, agora que há, ele já não vive. não temer a morte
tornava-lhe a vida mais leve e o dispensava de desejar a
imortalidade em vão. sua vida era infinita, não porque se estendesse
indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual,
não tinha limite. tal qual outras coisas preciosas, ela não se
media pela extensão mas pela intensidade. louvemos e contemos
no número dos felizes que bem empregaram o parco
tempo que a sorte lhes emprestou. bom não é viver, mas viver
bem. ele viu a luz do dia, teve amigos, amou e floresceu. às
vezes anuviava-se o seu brilho. às vezes era radiante. quem
pergunta quanto tempo viveu? viveu e ilumina a nossa memória.
perplexidade
não sei bem onde foi que me perdi;
talvez nem tenha me perdido mesmo,
mas como é estranho pensar que isto aqui
fosse o meu destino desde o começo.
sair
largar o cobertor, a cama, o
medo, o terço, o quarto, largar
toda simbologia e religião; largar o
espírito e largar a alma, abrir a
porta principal e sair. esta é
a única vida e contém inimaginável
beleza e dor. já o sol,
as cores da terra e o
ar azul - o céu do dia -
mergulharam até a próxima aurora; a
noite está radiante e Deus não
existe nem faz falta. tudo é
gratuito: as luzes cinéticas das avenidas,
o vulto ao vento das palmeiras
e a ânsia insaciável do jasmim;
e, sobre todas as coisas, o
eterno silêncio dos espaços infinitos que
nada dizem, nada querem dizer e
nada jamais precisaram ou precisarão esclarecer.
antonio cicero
o justo, o belo e o saber
poeta e ensaísta contemporâneo brasileiro (nascido em 1945), mais conhecido na sua qualidade de letrista de alguns compositores de MPB.
pela mão da quasi editores, chegou-nos, em 2006, um livrinho de capa amarela, de sua graça 'a cidade e os livros'.
diz-nos assim:
canção do amor impossível
como não te perderia
se te amei perdidamente
se eu teus lábios em sorvia
néctar enquanto sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada à poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia
nênia
a morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a
morte e, agora que há, ele já não vive. não temer a morte
tornava-lhe a vida mais leve e o dispensava de desejar a
imortalidade em vão. sua vida era infinita, não porque se estendesse
indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual,
não tinha limite. tal qual outras coisas preciosas, ela não se
media pela extensão mas pela intensidade. louvemos e contemos
no número dos felizes que bem empregaram o parco
tempo que a sorte lhes emprestou. bom não é viver, mas viver
bem. ele viu a luz do dia, teve amigos, amou e floresceu. às
vezes anuviava-se o seu brilho. às vezes era radiante. quem
pergunta quanto tempo viveu? viveu e ilumina a nossa memória.
perplexidade
não sei bem onde foi que me perdi;
talvez nem tenha me perdido mesmo,
mas como é estranho pensar que isto aqui
fosse o meu destino desde o começo.
sair
largar o cobertor, a cama, o
medo, o terço, o quarto, largar
toda simbologia e religião; largar o
espírito e largar a alma, abrir a
porta principal e sair. esta é
a única vida e contém inimaginável
beleza e dor. já o sol,
as cores da terra e o
ar azul - o céu do dia -
mergulharam até a próxima aurora; a
noite está radiante e Deus não
existe nem faz falta. tudo é
gratuito: as luzes cinéticas das avenidas,
o vulto ao vento das palmeiras
e a ânsia insaciável do jasmim;
e, sobre todas as coisas, o
eterno silêncio dos espaços infinitos que
nada dizem, nada querem dizer e
nada jamais precisaram ou precisarão esclarecer.
antonio cicero
02 junho 2007
saturday's afternoon patchwork
all books are about loss
esta cidade está fora do controlo
nunca pensei em deixá-la até ao momento em que o fiz; de repente pareceu-me óbvio
o mundo já não nos pode fazer nada quando seguimos os nossos instintos
ser maduro é o mesmo que estar morto
não queiras descobrir tudo o que te vai acontecer
e depois foi o silêncio. (..) gastei-me.
[nas palavras de harmony korine, luis fonseca & samuel becket, john updyke, franz ferdinand, jonathan safran foer]
esta cidade está fora do controlo
nunca pensei em deixá-la até ao momento em que o fiz; de repente pareceu-me óbvio
o mundo já não nos pode fazer nada quando seguimos os nossos instintos
ser maduro é o mesmo que estar morto
não queiras descobrir tudo o que te vai acontecer
e depois foi o silêncio. (..) gastei-me.
[nas palavras de harmony korine, luis fonseca & samuel becket, john updyke, franz ferdinand, jonathan safran foer]
hoje: santiago alquimista, 22h
eram os anos 90.
aqui e ali, despontava a afinidade musical que constituiria uma irmandade de bandas sob a designação slow-core (ou sad-core). mazzy star, codeine, spain e, entre mais uma mão-cheia de nomes, estes low.
vai valer a pena, para todos aqueles que não confundem happiness com joyfulness.
downtempo & hipermelancolia.
low, 'over the ocean'
aqui e ali, despontava a afinidade musical que constituiria uma irmandade de bandas sob a designação slow-core (ou sad-core). mazzy star, codeine, spain e, entre mais uma mão-cheia de nomes, estes low.
vai valer a pena, para todos aqueles que não confundem happiness com joyfulness.
downtempo & hipermelancolia.
low, 'over the ocean'