25 junho 2007

m-a-r-k-e-t-i-n-g

do rapaz cada vez menos rapaz se dizia que tinha tudo para ser o genro ideal. era um elogio que as mãezinhas de ocasião sempre encontravam forma de fazer chegar até ele.

não via nenhum problema nisso, excepto quando lhe passava pela cabeça que isso poderia querer dizer que a 'projecção de si' em nada ligava com os redemoínhos interiores. perturbava-o um bocadinho, era verdade, essa falta de sintonia entre o lado de fora e o lado de dentro.

mas o pior não era isso - para receber comentários simpáticos, seremos sempre eternos cãezinhos à espera de mão que nos afague o lombo. o pior era ele ter essa absoluta ideia - quase racionalista - de que 'ser-se bom genro' é uma espécie de perfil novecentista, ultrapassado e, como dizer, não-operativo. e, pior do que isso, um conceito que chumbava, tanto quando analisado pela lupa das ciências humanas como quando dissecado pelo bisturi das ciências exactas.

- antes de mais, era preciso ser-se genro, para se poder depois receber qualquer espécie de qualificativo ('bom', 'mau', 'assim-assim', 'serve para as encomendas', 'podia ser pior', 'enfim, não gosto dele mas a pequena afeiçoou-se, que é que se há-de fazer', 'é como lhe digo: uma jóiinha', etc..);

- e, para se ser genro, era necessário, antes de mais, ser bom namorado (ou 'bom amante', ou 'bom homem', ou 'um gajo à maneira', ou lá o que é).

e isso tinha um problema.
quem escolhia eram sempre as filhas, nunca as mães delas.

afinal, bem vistas as coisas, talvez tudo se reduzisse a um simples problema de marketing.

2 Comments:

Blogger Ana Rita said...

:)

segunda-feira, junho 25, 2007 7:07:00 da tarde  
Blogger Gi said...

é uma looonga short-story..
;-)
ou antes
;-(

gi.

terça-feira, junho 26, 2007 12:02:00 da tarde  

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