03 agosto 2010


alpha e ómega

roberto carlos e metafóricas baleias rasgam este domingo,
e as lágrimas que me envergonham neste web café alimentar
são lágrimas em memória do nosso provado amor improvável,
tão esventradamente morto agora quanto eu, tão extinto quanto tu.
a vida, lá fora, continua, indiferente às minhas invisíveis mágoas:
biografias avulsas e carros a passar, esmagam-me contra meu peito,
atropelado por mim, por ti, pela vida, pelas coisas do mundo.
todos mortos agora, como esse fulminante hotel onde fomos felizes,
arquitectura outrora poderosa e radiante que é já ruína em cal viva.
ou como o teu nome, alpha e ómega, a triturar-me os ossos e a pele,
as pernas e os braços, os olhos e os lábios, o rosto e o resto
- e esse impossível tomorrow que, para nós, é always too late.