30 outubro 2008

há traços em volta
das traças.
há traças em volta
dos traços.
teorema insolúvel,
unindo num abraço
traço e traça.
troças da rapariga
das tranças.
entretanto,
tonto,
trancas-te no traço,
na traça,
na trança.
das palavras fazes dança,
antes que te façam mossa.
suspiras pela palavra certa:
esperança?
espaço?
trança?
traço?
baraço?
regaço?
um nó cego,
traças,
um nó negro,
baralhas.
e caem as muralhas,
e fina-se a criança.
a palavra certa
chega, mas cega,
chega, mas deserta,
quase inerte
e, de súbito, forte.
baralhado,
troças das tranças,
troças das traças,
troças da troça,
e ris de tudo e de ti,
e ris de todos e da vida,
e ris da morte.
dizes então alto:
trocava tudo por uma palavra bela,
funda,
cava,
séria!
e depois, de mansinho, soluças:
trocava as palavras todas
pela rapariga das tranças..

que é como dizeres:
trocavas tudo
por ela.