11 março 2007

a minha manhã

'inquietação'

a contas com o bem que tu me fazes
a contas com o mal por que passei
com tantas guerras que travei
já não sei fazer as pazes
são flores aos milhões entre ruínas
meu peito feito campo de batalha
cada alvorada que me ensinas
oiro em pó que o vento espalha
cá dentro inquietação, inquietação
é só inquietação, inquietação
porquê, não sei
porquê, não sei
porquê, não sei ainda
há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
qualquer coisa que eu devia perceber
porquê, não sei
porquê, não sei
porquê, não sei ainda
ensinas-me fazer tantas perguntas
na volta das respostas que eu trazia
quantas promessas eu faria
se as cumprisse todas juntas
não largues esta mão no torvelinho
pois falta sempre pouco para chegar
eu não meti o barco ao mar
pra ficar pelo caminho
cá dentro inqueitação, inquietação
é só inquietação, inquietação
porquê, não sei
porquê, não sei
porquê, não sei ainda
há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
qualquer coisa que eu devia perceber
porquê, não sei
porquê, não sei
porquê, não sei ainda
cá dentro inquietação, inquietação
é só inquietação, inquietação
porquê, não sei
mas sei
é que não sei ainda
há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
qualquer coisa que eu devia resolver
porquê, não sei
mas sei
que essa coisa é que é linda

josé mário branco


rasgando as ruas de lisboa, cidade branca e dourada sob azul céu, escutando, janela aberta para a manhã, dezenas de vezes esta canção.
gentil oferta de alguém que sabe que gosto de j.p. simões (da persona e do homem; de alguma música também).

a versão do joão paulo é, para mim, superior ao original de josé mário branco. o tal do fmi; e o tal que produz, desde a primeira hora, o excelso camané. não é que 'isto anda (mesmo) tudo ligado' ?

o disco recém-lançado é um disco subtil e não exactamente fácil. na composição e nos arranjos, é absolutamente transparente a omni-presença de chico buarque - o que atesta bem a coragem do joão paulo. não é chico, mas não desmerece chico. e não parece chico quem quer; parece chico quem sabe e faz por merecer.

para além da mencionada 'cover', há 2 canções que me conquistaram. 'lili & o americano' ('eu não sei de onde sai / tanta gente a precisar de um coração / que me toma por um anjo / nem pergunta se eu desejo / a sua afeição') e a imensamente triste 'se por acaso (me vires por aí)' - uma canção estupenda, daquelas que entram peito adentro. e ficam.

http://www.jpsimoes.com/1970/letras.html

3 Comments:

Blogger Nuno Guronsan said...

Grande, grande disco. Se bem que eu prefiro andar pela marginal, com o sol a bater de frente, imaginando-me a passear por Copacabana... :)

Eu estou perfeitamente perdido pela "1970(Retrato)", mais propriamente pelas palavras que por lá passam...

Abraço de afinidade, Gi.

segunda-feira, março 12, 2007 9:36:00 da tarde  
Anonymous Luis said...

Grande disco realmente.
Concordo em pleno com o Nuno. Tanto em relação a Copacabana, como em relação a "1970 (Retrato)"

Ontem por acaso revisitei um Clássico arrebatador - Nina Simone!
Ainda estou a recuperar

terça-feira, março 13, 2007 9:40:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

olá, nuno; olá, luis,
ainda bem que não estou só. ou, bem mais importante, que ele 'não está só'. nem sempre precisamos de muitos para que 'o que temos que fazer' faça sentido; mas havendo um disco gravado (com custos, etc), é bom ver que há 'afinidades' que contribuem para uma espécie de 'reconhecimento'. cruzando com o chico, é caso para dizer: 'valeu a pena, pá!'.
sim, copacabana. sim, o calçadão. sim, outros meridianos (exteriores e interiores).
a canção '1970 (Retrato)' ficará como hino de uns quantos - uma espécie de balanço triste de mais uma geração que passou ou lado (ou que assim se sente). onde é que já vimos isto ? pois é, 'that same old feeling'..
nina simone.. palavras para quê ? percebo bem, muito bem, a necessidade de utilizares, luis, a palavra 'recuperar'. para ti, deixo-te umas florzitas, na barra direita do blog. em memória do teu ontem.
abraço aos dois.
gi.

terça-feira, março 13, 2007 11:06:00 da manhã  

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