18 fevereiro 2007

lua de papel

se eu cantasse o amor sem resultado ou sem causa,
seria mais sensata: chegava-me uma lua de papel,
um par de braços lisos, conformados

se eu cantasse o amor sem causa ou resultado,
tinha muito mais paz: fingida em lua-cheias,
seria mais sensata e decerto poeta bem melhor

assim o que me resta é lua cheia a trans
-bordar de tridimensional. a paz a falhar toda
e eu resolvida em causa a insistir papel. e amor.

ana luísa amaral
in '366 poemas que falam de amor'

5 Comments:

Blogger Abssinto said...

Eu só sei cantar o desamor. Também dava pra pianista de pub e cantot a la Tom Waits dos primeiros tempos, se tivesse voz e soubesse tocar piano!

Will Oldham...muito bem. Adoro essa música.

ab

domingo, fevereiro 18, 2007 8:27:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

great hearts feel alike.
(escuta-a também na versão johnny cash..).
não é preciso voz e saber tocar piano para sermos o tom do bairro. e em cada bairro se começa o mundo.
quanto ao desamor, é um tema inesgotável.
um abraço.
gi.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007 6:36:00 da tarde  
Blogger Abssinto said...

Rapaz vou-ter bater, tu andas-me a gamar as futuras músicas do meu blog!:) Por acaso nem é bem, eu andava a procura da "polyester" do Maximilian Hecker de quem sou fã (mas só tenho o "Rose" e o "Infinite love songs"). É um dos tais, o Max e tu continuas a surpreender-me. Abraço.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007 9:26:00 da tarde  
Blogger Abssinto said...

Vou procurar a verso doi johnny.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007 9:27:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Estou só, na zona das metáforas
(que é todo o pensamento),
em nenhum resíduo nada exprimo
(mas sempre metaforizo).
Não sinto a solidão total
dos poemas, talvez grutas,
o mar quieto, nem silêncio.
Apenas espero o outro,
um amor esplêndido,
alheio e desejável.

Fiama Hasse Pais Brandão

segunda-feira, fevereiro 19, 2007 9:47:00 da tarde  

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